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Galeria Luciana Brito / Piratininga Arquitetos Associados


Galeria Luciana Brito / Piratininga Arquitetos Associados

Segundo o livro RINO LEVI Arquitetura e Cidade, Romano Guerra editora, pág 254: "Quarto projeto da série de casas introspectivas, esta residência desenvolve o partido adotado na igreja e na capela de São José dos Campos: um espaço único, construído de duas faixas laterais com jardins descobertos e uma faixa central coberta e protegida. O espaço central é a sala de estar e jantar, que se estende pelos jardins laterais protegidos por pérgolas. A delimitação desse espaço único é proporcionada pelo próprio corpo da casa: nos fundos, os dormitórios; na lateral direita, a cozinha, copa e sala de almoço; na lateral esquerda, o vestíbulo com lavabo, o acesso à adega subterrânea e uma saleta; na frente, os serviços e a garagem, com a peculiar situação dos dormitórios das empregadas, um volume branco, elevado e cego para a rua." 

Para Ana Elísia da Costa, professora e pesquisadora da faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em sua tese de Doutorado intitulada O Gosto pelo Sutil. Confluência entre as Casas-Pátio de Daniele Calabi e Rino Levi:

“A casa ocupa um lote de meio de quadra, estreito e comprido.  A partir do recuo frontal, são dispostos três volumes: na parte frontal do lote, um pequeno bloco sobre pilotis, que abriga a garagem e as dependências de empregada; ao centro, um grande prisma retangular, com pequenos recuos laterais, que organiza o corpo principal da casa; e, na parte posterior do lote, uma edícula, que absorve a irregularidade geométrica do terreno e acomoda dependências de hóspedes e salão de festas. A volumetria resultante do conjunto é pura e ganha expressão através da contraposição entre a horizontalidade do prisma principal e a verticalidade do volume sobre pilotis.

O prisma principal é rasgado por um grande pátio central, que, como centro compositivo, organiza o zoneamento da casa em três de seus lados – setor de serviço na ala lateral direita, com acesso independente pela garagem; acesso e circulação principal na ala lateral esquerda; ala do setor íntimo na parte posterior do lote, garantindo privacidade aos quartos e orientação solar favorável (noroeste). A ocupação periférica do volume a partir do vazio central, como é clássico neste esquema tipológico, é transgredida com a disposição da ala do setor social, que de modo inusitado “invade” o grande pátio.”

Muito do projeto executivo original, desenho do arquiteto Rino Levi e sua equipe, se encontra na parte do acervo de conservação da biblioteca da FAU USP, sem acesso ao público geral. O material disponível e ao qual tivemos acesso são cópias de alguns desenhos do projeto de aprovação de prefeitura, plantas executivas e alguns detalhes.

Alguns destes desenhos se apresentaram de grande importância para compreensão da construção e sobretudo do espírito e partido arquitetônico da residência. 

Os jardins e o paisagismo, de uma maneira geral são tão importantes quanto a própria construção em si, configurando neste ritmo de cheios e vazios, ou de construção e jardins. Na pesquisa dos desenhos, foram encontrados desenhos originais dos jardins. Abaixo copiamos a planta com o desenho de paisagismo e construção destes vazios, encontrados nos acervos da FAU USP.

Para a intervenção foram contratados os paisagistas Klara Kaiser e Koiti Mori, que trabalharam no escritório de Roberto Burle Marx, que fizeram a investigação de sua autoria. Segue parecer dos paisagistas sobre o jardim da residência: “O conhecimento do convívio professional intense e o testemunho de uma amplo conjunto de trabalhos realizados em parceria entre Rino Levi e Burle Marx torna plausível a suposição de que o jardim seja do paisagista e artista. E há, de fato, alguns indícios concretos a seu favor, como a presença de algumas espécies de plantas perenes e/ou de porte maior nos jardins que Burle Marx valorizava e utilização em contextos similares: há alguns agrupamentos ou associações familiares a sua linguagem. 

 

Entretanto, o desenho em planta encontrado nos acervos não parece ser proveniente do escritório do artista. Depõe contra isso, antes de tudo, as soluções formais de algumas áreas, a organização da lista de plantas, as formas de identificação das espécies, e mesmo a grafia de várias espécies. 

Diante do que foi exposto, o entendimento preliminar que temos é que sem prejuízo de novas buscas quanto à autoria do projeto original do jardim, a tarefa consiste no entendimento do novo programa da edificação, apoiando-se essencialmente nas diretrizes emanadas do próprio projeto de Rino Levi. Em essência, fazer com que o projeto ressalte, como o traço essencial do partido arquitetônico, a alternância entre os espaços edificados e as áreas ajardinadas, criando simultaneamente um zoneamento de usos, um ritmo peculiar de apreensão do espaço e, não em último lugar, a criação de ambientes específicos para cada local de uso.”

Créditos: www.archdaily.com.br

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