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Container City: um novo conceito em arquitetura sustentável


Container City: um novo conceito em arquitetura sustentável

Da inutilidade à criatividade

Muitas coisas que compramos, consumimos, ou que usamos podem ter sido transportadas dentro de um container. Esses contêineres são usados para o transporte de mercadorias no mundo inteiro. Estima-se que 90% do movimento de mercadorias no mundo utilizam contêineres como forma de transporte e cem milhões de cargas cruzam os oceanos do mundo em mais de 5.000 navios de contêineres a cada ano.

Malcolm McLean foi o inventor dos contêineres que representaram uma verdadeira revolução na indústria de transportes em meados dos anos 50. Porém, hoje, após determinado tempo de uso, eles se tornam inutilizáveis gerando um cemitério de contêineres abandonados. Ou acontece como nos EUA e Europa, onde mandar o container de volta gera custos consideráveis compensando mais, a compra de novos na Ásia.

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Os contêineres foram e são utilizados como abrigos improvisados em países que tiveram terremotos, desastres naturais, e em guerras, como na Guerra do Golfo em 1991, onde também serviram como transporte de prisioneiros iraquianos. Buracos foram feitos nos contêineres para permitir a ventilação e não houve relatos de efeitos nocivos deste método.

Com a atual discussão sobre meio ambiente, construções sustentáveis, materiais disperdiçados que geram poluição, energia solar, reciclagem, etc, os contêineres vieram a "calhar" perfeitamente como uma alternativa construtiva, benéfica ao homem e à natureza, aliados a uma arquitetura moderna e criativa!

Um pouco mais sobre os contêineres

Todos os contêineres são fabricados obedecendo uma padronização que conforme oferecem elementos modulares podem, ainda, ser combinados com estruturas mais largas, simplificando o design, transporte e planejamento. Os contêineres podem ser empilhados até 12 unidades quando vazios.

Eles são estruturas de aço extremanente fortes, porém leves, já confeccionados para um perfeito encaixe, disponíveis no mercado e podem ser facilmente realocados já montados. Na construção, você pode usar tintas à base d´água, paineis solares, teto verde , isolante de pet, entre outras aplicações de uma construção sustentável.

Os contêineres também exigem muito menos mão-de-obra, custos e trabalhos na fundação do que outros tipos de construções. Os contêineres usados podem ser comprados das empresas de transporte por US$1.200,00 cada, e mesmo quando comprados novos, eles não custam mais que US$6.000,00.

Alguns cuidados antes do uso

Como os contêineres são feito de aço que é um bom condutor de calor, é necessário forrar o container com um isolante térmico. Hoje, no mercado de isolamentos, existem aqueles que não agridem a natureza e são feitos com materiais recicláveis, como o caso o Isosoft, feito de garrafa pet.

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Do lado de fora, os contêires parecem grandes blocos de Legos que criam uma fachada de cores diferentes.

O Container City I teve sua construção iniciada em 2000 e levou cinco meses para sua conclusão, em maio de 2001. Originalmente, a construção não passava de três andares, mas devido à alta demanda, foi adicionado aos edifícios mais um novo andar, seja ele para residência, escritório ou estúdio.

Um total de 20 contêineres forma a Container City I, sendo 15 para uso residencial. Este foi o primeiro complexo dos 14 que existem hoje na Inglaterra. O Container City I usa um esquema igual de pinturas para o aço que fica exposto ao vento, água e ferrugem. Ele também mantém a própria estética de um container de carga, assim, levando em sua arquitetura essa herança marítima.

Uma exponencial de aplicações

Muitas estruturas com base em contêineres já foram construídas, e seus usos, tamanhos, localizações e aparências variam amplamente.

Quando o futurista Stewart Brand precisava de um lugar para reunir todo o material que utilizaria para escrever seu livro, ele converteu um container em um espaço de escritório, e relatou este processo de conversão no mesmo livro.

Em 2006, no sul da Califórnia, o arquiteto Peter DeMaria projetou os dois primeiros andares de uma casa container como um sistema estrutural aprovado no âmbito das orientações rígidas do código da construção reconhecido nacionalmente (UBC). Esta casa foi a Redondo Beach House e inspirou a criação de Casas Lógicas: um container de carga baseado no conceito de casas pré-fabricadas.

Em 2006, a empresa holandesa Tempohousing terminou em Amsterdam a maior vila de containers do mundo: 1.000 casas para estudantes feitas com contêineres modificados vindos da China.

Em 2002, a norma ISO para contêineres começou a ser modificada e usada para criação de locais de tratamento de águas residuais. O uso de contêineres cria uma solução de baixo custo, modular e personalizada para tratamento local de águas residuais e elimina a necessidade de construção de um edifício separado para abrigar o sistema de tratamento.

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